Brincar….

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Quando me propus a escrever esse texto sobre brincar, procurei várias inspirações, mas a que mais me encantou foi falar sobre as brincadeiras de minha infância. Como eu adorava brincar. Minha avó materna, Elda, era minha companheira assídua de minhas brincadeiras. Brincávamos de fazer comida: ela fazia a comida de verdade, enquanto eu fazia a de mentirinha com minhas panelinhas e meu fogão de lata. O bom era que, mesmo a minha comidinha sendo de mentirinha, eu sempre saboreava a comida deliciosa de minha avó… nossa, deu água na boca….

Depois de comer, ajudava a lavar os pratos, talheres e copos. Subia na cadeira, monitorada por minha avó. Isso me fazia sentir “a grande”, pertencente àquele lar, cuidando para tudo ficar limpo e organizado.

Ah, não parava aí… minha avó tinha que passar roupa, e lá ia eu com meu ferrinho de mentira passar as roupas das minhas bonecas. Eu tinha até um nome de mentirinha… Margarida, escolhido por minha avó.

Com seis anos, iniciei na escola. Nossa, que delícia conhecer pessoas, crianças e aprender um milhão de coisas… Lá tinha uma casinha em miniatura, e o “faz de conta” parecia real. Brincávamos de papai, mamãe, filhos e filhinhas…

As experiências com minha avó e na escola me proporcionaram representar alguns papéis do mundo adulto, identificar emoções, sentimentos e aprender saber e fazer.

Já na escola, aprendi a tabuada. Adorava matemática e brincar de escolinha. Lógico que eu era a professora, né? E a minha aluna preferida, minha avó, analfabeta, mas que não errava nenhuma conta da tabuada. Assim, fui me apaixonando por aprender e ensinar… Hoje, além de psicóloga, sou professora, que cuida do aprendizado das professoras de crianças pequenas.

Com muita ludicidade, fui uma criança aprendendo o mundo pela brincadeira, o que é preconizado pelas leis para a promoção do processo de aprender e revelado pelas pesquisas de desenvolvimento humano. Mas, compondo meu processo de aprendizagem pelo brincar, encontrei mais à frente as brincadeiras de mau gosto, aquelas que machucam a alma e deixam marcas doloridas. Hoje elas têm nome: bullying. Com elas, tive que aprender a me defender, ficar atenta às minhas amizades e saber que as pessoas são e agem de forma diferente. E ainda que, muitas vezes, elas “não sabem o que fazer”, então agridem.

Hoje, adulta, continuo a brincar, porque o bom humor contribui para a saúde mental. Então, brinco muito, mesmo levando a vida a sério. Assim, ela fica mais leve e eu mais feliz.

Brincar é a força motriz para a vida saudável.

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