Do Livro à Prática: Oficinas do Projeto Memória, História e Pertencimento

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Nos últimos dias, nossas oficinas levaram para as escolas mais do que atividades educativas — trouxemos histórias, música, arte e diálogo que despertaram a imaginação e o senso de pertencimento nas crianças. Essas ações fazem parte de um movimento maior, inspirado pelo livro Memória, História e Pertencimento: Educativo para a Sensibilização nas Infâncias. A obra une literatura infantil, educação patrimonial e práticas interdisciplinares para sensibilizar crianças sobre a importância do patrimônio cultural. Com abordagem lúdica e educativa, o livro propõe atividades e histórias que incentivam o vínculo afetivo com os espaços urbanos, valorizando o patrimônio material e imaterial que nos cerca. As atividades que fizeram parte do projeto foram:

Ensino Infantil – EMEI João Sperandio

Durante a contação da história “A casa mágica que fabricava memórias”, as crianças foram convidadas a refletir sobre os lares de todos os seres vivos — desde a toca do coelho até as casas que nós mesmos construímos. A atividade “Todos os seres vivos têm casa” evidenciou que cada criatura possui seu próprio espaço no mundo. Já em “Minha casa, de que tamanho?”, usando fita crepe no chão, foram criadas casas imaginárias que as crianças puderam explorar e vivenciar. Para encerrar, cantamos “Era uma casa muito engraçada”, acompanhados por instrumentos confeccionados com materiais reciclados, unindo de forma criativa sustentabilidade e música.

Fundamental I – Escola Estadual Prof. Divo Marino

A atividade começou com a contação da história “A rua banguela”, que despertou nas crianças reflexões sobre os espaços onde vivem e como poderiam transformá-los. A partir dessa inspiração, elas participaram da proposta “Se essa rua fosse minha”, utilizando materiais variados — como cartolinas, papéis coloridos, tecidos, tampinhas e outros elementos — para dar vida às ruas dos seus sonhos. Surgiram calçadas floridas, casas coloridas, praças arborizadas e até pequenos comércios inventados por elas. Ao final, cada criação foi unida às demais, formando uma grande cidade coletiva, que não apenas refletia a imaginação das crianças, mas também revelava sua capacidade de pensar o espaço urbano de maneira criativa e colaborativa.

Fundamental II – EMEF Prof. Anísio Teixeira

Com os alunos do oitavo ano, o trabalho girou em torno do tema patrimônio cultural, começando com uma roda de conversa para compreender o conceito e refletir sobre a importância de preservá-lo. A partir dessa troca, nasceu a criação coletiva de uma música que representasse o patrimônio cultural, unindo ideias, ritmos e sentimentos dos estudantes. Para finalizar de forma dinâmica, foi proposto um jogo para localizar lugares patrimoniais no mapa, seguido por uma animada gincana em grupos, que combinou aprendizado e espírito de equipe.

O Livro e o Projeto

O livro foi viabilizado por meio da parceria entre o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) e o Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais (IPCIC), como parte do projeto “Memória, história e pertencimento nas infâncias: educação patrimonial para a construção de uma sociedade cidadã protagonista em suas ações de preservação do patrimônio cultural” e teve como responsável técnica e autora a arquiteta Ana Carolina Gleria Lima

Realizado entre janeiro e agosto de 2025, o projeto tem ações-piloto em escolas públicas de Ribeirão Preto/SP e inclui: palestras para professores, rodas de conversa abertas ao público e atividades educativas para crianças

O livro está estruturado em três partes — a casa, a rua e a cidade — conectando-se diretamente às oficinas realizadas nas três etapas da infância escolar: ensino infantil, fundamental I e fundamental II. Inspirado em metodologias do Iphan e da Unesco, o trabalho busca despertar o protagonismo das crianças na preservação do patrimônio.

Equipe que realizou os educativos: Ana Gleria, Mônica Regina, Thales Eduardo, Renato Caetano da Silva e Letícia Agostini. 

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